Mudar de área Profissional- 6 Dificuldades

Olá leitores!

Hoje partilho convosco quais têm sido as dificuldades sentidas na procura de um emprego fora da minha área de formação.  O título deste post já foi escrito e rescrito dezenas de vezes...e parece que ainda não traduz o que quero! 


Não sei se viram a reportagem que passou na SIC sobre vida de professor: Longe de casa! Deixo-vos o  link  para aqueles que tenham curiosidade! Eu vi apenas a apresentação, pois dispenso ver tudo aquilo que me lembre do que sou obrigada: ter a minha vida em suspenso todos os anos e, por vezes, mais do que uma vez no ano. Muitas vezes, uns meses aqui; uns meses acolá... 


E ainda perguntam por que razão quero abandonar a profissão? Não é óbvio? 
Tiro o chapéu a todos o meus colegas que ainda não desistiram. Mas para mim...chega, basta! Não quero mais! 

Quando um recrutador me pergunta por que razão quero abandonar o ensino, dá-me vontade de responder "secamente": apenas porque quero ter vida! Quero viver! É possível?
O que será tão difícil de entender no facto de uma pessoa querer trocar de profissão por já não se rever na que tem! 


Além do mais, mais tarde ou mais cedo, não haverá realmente espaço para todos na profissão e - convenhamos - todos nós sabemos e podemos fazer outras coisas! Falta oportunidades! Isso sim!

Agora, que dificuldades tenho sentido nesta luta para mudar de área? Várias!!! 

1- O preconceito! 

De que forma? As empresas acham que lugar de professor é na escola! Aliás, uma ideia preconcebida da sociedade! Não sei exactamente que ideia têm? Mas um professor, aliás como muitas outras profissões, é  multifacetado. Há uma série de competências que começamos por ser nós a transmitir: O discurso argumentativo (tão usado na política e publicidade) somos nós (da minha área) que começamos por ensinar! Logo, também temos essa competência connosco! E, no meu caso, até tenho outras formações que nada têm a ver com ensino! Alguém que diga às empresas e às pessoas que "professor" (ou quem estudou para) é um "ser normal" com vontade de trabalhar e também de aprender!? 



2 - A idade

Essa coisa de que os 30 são os novos 20 e os 40 os novos 30...só funciona em algumas áreas (televisiva, talvez!) e quando dá jeito. A realidade é bem diferente! Há um preconceito enorme no mercado de trabalho português no que diz respeito à idade. Não é só a questão de colocarem como idade máxima nos anúncios os 30/35 anos; é também uma questão de mentalidade! Curioso! Quantos anos terão a maioria dos recrutadores? Entre 45-55? Se calhar também não deveriam estar a trabalhar, certo?


3- A idade vs dinamismo

Em entrevista já me disseram que preferem os jovens por serem mais dinâmicos. Acredito que os haja! Mas dinamismo é uma questão de personalidade e não de idade!


4- Modas- como Inteligência emocional

Garanto que não há quem treine mais a inteligência emocional que um professor! Só agora é moda e começa a ter a atenção dos recrutadores, mas esta competência, numa sala de aula, é posta à prova todo o santo dia. 


5- Especificidade dos anúncios

Não há paciência para tanta especificidade para o reverso ser tão pouco!
Exemplo: 
- Licenciatura específica em X
- 3 anos de experiência específica em Y
- 3 línguas (se souberem uma e for chinês...maravilha)
- Conhecimento de 8/10 programas informáticos...e ainda especificamente o programa Z.
- Características pessoais...umas 16 características positivas...(oh...somos todos boa gente!)
- Carta de condução (e se possível veículo próprio para pôr ao serviço da empresa - mais alguma coisa?).  E bla, bla, bla whiskas saquetas!
O que oferecem? 
Salário compatível com a função. (A sério?). 
Mais equilíbrio e bom senso nos anúncios, por favor, senhores recrutadores! 

Haverá alguém no mundo assim tão específico? 

Talvez seja bom lembrar que há competências transversais. Já ouviram falar? Experiência no atendimento ao público não tem de ser específica! Quem tem aptidão/experiência para lidar com o público conseguirá fazê-lo numa loja de roupas, de cosmética, na Vodafone, na EDP, etc. Depois, há a aprendizagem técnica e há a forma de trabalhar da empresa, mas essa terá de ser sempre apreendida. Nenhuma loja de roupas funciona igual à outra, calculo! Há procedimentos de trabalho próprios em cada empresa.  



6- A cunha

Esta deixa-me de cabelos em pé! Juro por Deus!!!
Cada vez tenho mais a certeza de que não há - apenas - falta de trabalho. Há falta de cunhas. Vivemos no país da cunha, sem dúvida! Falo com conhecimento de causa e por saber de situações específicas (não é  pelo diz que disse...que "diz que disse", para mim, é o mesmo que não terem dito nada).


São situações concretas de pessoas que só conseguiram trabalho com a bendita cunha. O estranho é que a cunha supera qualquer experiência, qualquer licenciatura apropriada, qualquer língua, qualquer competência informática, qualquer idade! Quando há cunha...o anúncio é um conto de fadas! Não me interessa as pessoas que a conseguem, pois essas também têm de viver com o peso da "cunha"... não sei até que ponto será saudável! Agora, as empresas continuarem a contratar por este meio...diz muito delas próprias! Cunha - não confundir com network! 


Esta é uma realidade muito diferente de quem viveu, até aqui, da sorte de uma colocação por meio de um concurso. 


O que pode, então, fazer um candidato - que quer mudar de área - para conseguir um emprego, perante todo este cenário? 

Ideias? Sugestões? O que pensam do mercado de trabalho actualmente? 
O que têm a dizer sobre estas novas formas (exigências tão específicas) de recrutamento?


Ps.: Um agradecimento sincero à Ana Filipa, do Blog "Hey, Pêssegos", por disponibilizar conteúdos tão úteis, permitindo a outras bloggers a sua evolução e aprendizagem. Todas as imagens foram retiradas de um banco de imagens gratuito. Como agradecimento, retribui deixando imagens minhas por lá!   

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14 comentários

  1. Esta tua publicação não podia ter vindo em melhor altura e estou a rever-me nela apesar de não ser professora mas também gostava de trabalhar numa área diferente da minha pois o curso que tirei foi tirado pois foi "onde tive média para entrar" e nada tem haver com os meus objetivos de vida de forma a sentir-me realizada, que muito sinceramente para o tempo que uma pessoa anda aqui, é no fundo o que realmente importa! Neste momento tenho 25 mas posso partilhar que andei mais de uma ano e meio à procura do meu primeiro trabalho (loja num shopping), pois por não ter nenhuma experiência profissional era logo colocada de parte (uma vez até nem quiseram o meu currículo porque como não tinha experiência, nem valia a pena). Se ninguém der oportunidade como vamos ter experiência?
    Portanto concordo contigo na questão das competências transversais e que se calhar até bons noutras áreas sem ser a da nossa formação, pois basta sermos felizes com o que estamos a fazer para o trabalho ser mais bem sucedido e as empresas só tem a ganhar com isso, coisa que eu acho que muitas delas ainda não perceberam!
    Beijinhos :)

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    1. Alexandra,
      Entendo perfeitamente! Eu fui para Ensino depois de me desiludir com Direito! E nos primeiros anos da profissão...até amava demais o que fazia e acreditava numa colocação fixa (nos quadros) que me desse estabilidade! Os anos passaram, muita coisa mudou, nós próprios mudamos...começamos a querer dar outro sentido à vida, aquele que mencionas: "ser feliz numa área que nos preencha e realize" e que as coisas façam sentido! É só isso! Verdade! É preciso oportunidades para ganhar experiência! É preciso mais abertura de mentalidades! Muita sorte para ti, linda! Beijinho.

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  2. Esta publicação está incrível. Não sinto discriminação desta forma, mas como não tirei nenhum curso superior, sinto que não me são dadas oportunidades e digo-lhe Elizabeth, há funções que eu tinha a certeza que cumpriria melhor que muito boa gente!

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    1. Cátia,
      E "digo-te", por amor de Deus...ainda me dá um colapso!:P Não há "você" por aqui! Até porque pareço uma miúda, mesmo!!! :)
      É isso que não entendo... porque são dadas tão poucas/nenhumas oportunidades a quem quer mostrar trabalho e gosta de trabalhar?
      Cátia... também não sei se hoje vale a pena tirar um curso superior...só se for numa área que saibamos, de antemão, que terá saída!
      Beijinho linda!

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  3. Sei muito bem o que e isso nem sei que te diga
    mas posso dizer que adorei o teu post
    Beijinhos
    CantinhoDaSofia /Facebook /Intagram
    Tem post novos todos os dias

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    1. Sofia,
      Obrigada linda!
      Se tiveres na mesma luta, muita sorte para ti! ;)
      Beijinho.

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  4. Ola !
    Nao passo por isso mas a minha irma sim, também é professora ou acho que tenta ser!
    E uma precaridade a forma como tratam os professores, e não só...
    Os anúncios acho, e desculpem o termo ums autêntica palhaçada, alem dos critérios mais ignorantes existe um em particular que me revolta.
    Pedem pessoas aptas para estagio profissional, mas um dos critérios é ter experiência, alguém explica a estes senhores que se acham gestores de recursos humanos, que estagio serve paraas pessoas aprenderem?
    Desejo te toda a sorte do mundo e nunca desistas daquilo que realmente queres hoje batem-te com uma porta amanhã abrem-se duas janelas ;)
    Beijinhos
    http://a-carlota.blogspot.pt

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    1. Carlota,
      Sim, é mais isso: "tentamos ser"! Aliás, eu já nem tento...tal é o desgaste!
      Esse critério... é também um dos mais gritantes! Aqui, culpa do Governo português que os cria e depois não vigia a forma como estas coisas são aplicadas no terreno. Um estágio faz todo o sentido para quem quer ganhar experiência; o que não faz sentido é a forma como algumas entidades patronais usam e abusam da medida, sobretudo, quando pedem alguém com experiência (como dizes!). Por enquanto... nem portas nem janelas... mas desistir não pode ser opção!
      Beijinho linda! :) <3

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  5. Não é fácil a vida de professor...

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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    1. Isa,
      Neste momento...é mais do que difícil...é impossível! :(
      Beijinho Isa!

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  6. Identifico-me tanto neste texto Elizabeth.
    O problema reflecte-se também noutras áreas que não o ensino (à parte do problema da colocação incerta, claro). Eu sou contabilista e andei a "queimar" a pestanas para nada!!! A minha área está a rebentar pelas costuras e agora colocam qualquer pessoa nesta área, mesmo sem formação, a ganhar o ordenado mínimo!

    Querem mil e uma competências....mas querem pagar pouco mais que o ordenado mínimo, querem idade até 30, 35 anos....então com quarenta já se é inválido (para trabalhar)?, trabalhos (ou empregos).....convém ter cunha ;)

    Mudar de área também não é fácil, porque querem experiência, mas não podemos desistir e temos de insistir....tantas vezes tentamos, que alguma havemos de conseguir. É isso que eu penso e que me dá força :)

    Beijinho grande <3
    https://demantanosofa.blogspot.pt

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    1. Carla,
      Engraçado! Achei que a área da contabilidade tivesse até saída! As exigências são muitas...pena que realmente não se reflictam no ordenado. Dá-me vontade de perguntar se nos podemos reformar aos 35-40!? Pois, e quem não tem cunhas? (o meu caso e, provavelmente, o teu). Já não podemos trabalhar? Eu continuo a insistir, mas há dias em que perco a esperança, perante todo este cenário. :(
      Obrigada pela partilha. E muita força positiva para esse lado!:)
      Beijinho linda.

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  7. Muito obrigada e o mesmo te desejo eu! Temos de pensar positivo, tem de ser!
    Um beijo enorme <3

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    1. Obrigada Carla!
      Sim, temos de acreditar que é possível!:)
      Beijinho linda!

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