As histórias que não se contam....

By Elisabeth Rodriguez - 5.9.16

Olá Ladies and Gentlemen,

Hoje uma crónica, categoria que tem andado um pouco "abandonada". Vamos lá dar-lhe alento!

AS HISTÓRIAS QUE NÃO SE CONTAM...

Quais terão sido as tuas últimas palavras? Qual foi a última imagem que tiveste presente?

Num amanhecer como tantos outros, as pessoas da aldeia começaram o dia por falar naquele fatídico acidente.

- O rapaz ficou completamente estropiado. - Dizia uma senhora. 
- "Aquilo" nem ficou inteiro. - Disse outra senhora. 
- Da maneira como foi, nem está capaz de abrir o caixão. - Acrescenta outro senhor.

São as frases que guardo marcadas pela rudeza e simplicidade das pessoas do campo. Não aprenderam a dizer as frases por metáforas...a vida exigiu-lhes mais do que isso... e elas são o reflexo dessas mesmas exigências

Perguntei timidamente o que tinha sucedido.

- Foi um rapaz que teve um acidente...coitado, tão novo, com tanto para viver...enfim, são coisas que acontecem na vida. - Disse uma senhora. 
E voltei a ouvir frases com a mesma dureza e rudeza de vocabulário. 

Virei as costas e segui o meu caminho...

Estive na escola durante as aulas e depois de sair da escola, como era habitual, fui lanchar com o meu grupo de amigos. 

Até aqui...a vida foi irónica... foi pelos olhos e, segundos depois, pelas inevitáveis palavras, daquele que viria a ser o pai do meu filho, também ele uma estrelinha, que soube que eras o "estropiado" que tinha virado o assunto do dia pelas gentes da aldeia.


Haverá forma de fazer um luto de um início e de um fim em simultâneo?

A namorada que não chegou a ter "estatuto de"...esteve na tua partida. 

Jamais haverá palavras para explicar o embate de tamanha violência para um jovem coração.
Estranhamente, uma parte de mim... morreu, mas outra...nasceu naquele dia. Sei-o hoje. 

A pergunta que me tem acompanhado há mais de 20 anos: FRANCISCO, voltaremos a encontrar-nos? 

  FIM

OBS.: Tenho em mim... a imprevisibilidade da vida dos Contos de Teolinda Gersão... como poderia não ter? Sou fruto de tudo que leio (e vejo)!  

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6 comentários

  1. Obrigada pelo comentário :)

    http://mundodablue.blogspot.pt/

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    1. É sempre um prazer visitar o teu blog! :)
      Beijinho.

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  2. gostei da abordagem no teu blog...espero por mais posts assim. Tão forte!!
    Um beijinho querida Elisabeth
    elisaumarapariganormal.blogspot.pt

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    1. Verdade...quando escrevo Crónicas...a linguagem que uso é forte...mas sai-me espontaneamente...
      Obrigada linda!
      Beijinhos.

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  3. Acho que é o primeiro post deste género que leio por aqui mas... gostei tanto! Escreves tão bem, quero mais!

    With love, Miss Melfe

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    1. Dalila, vê la tu... e eu não escrevo mais vezes Crónicas, desde género, porque acho que vou cansar o leitor...ele não vai gostar! Sei lá! Fico sempre na dúvida! Beijinhos linda!

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